Crise, Concentração Bancária, o Empresário e a Securitização

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A crise econômica que assola o Brasil deflagrou uma série de ciclos viciosos, como é comum nesse tipo de cenário. Um deles afeta de forma especialmente maliciosa as empresas pois limita suas possibilidades de crédito. Trata-se da Concentração Bancária, a qual agrava ainda mais o problema de crédito dentro do cenário atual.

Na década de 1990, em outro momento de crise, o Brasil enfrentou graves problemas em seu sistema financeiro, o que resultou no “Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional – PROER”. Desse programa consolidou-se uma noção de que precisamos de um Sistema Financeiro com instituições muito grandes e fortes; ainda que isso possa causar problemas para os consumidores bancários. Importante frisar que não pretendemos adentrar os méritos e deméritos do PROER e seus idealizadores.

O fato é que bancos muito grandes, “impossíveis de quebrar”, podem gerar uma certa estabilidade para o sistema, mas por vezes podem engessá-lo. Isso ocorre porque a concentração de uma grande fatia do mercado na mão de poucas instituições tende a restringir as práticas e políticas dessas instituições; simplesmente porque o usuário/consumidor se enquadra nas políticas ou não tem acesso aos serviços bancários.

Atualmente temos 5 grandes instituições atuando no Brasil e um processo que concentra cada vez mais nessas instituições as opções de serviços bancários. Isso porque bancos como HSBC e Citibank decidiram fechar ou diminuir suas operações no Brasil. O HSBC foi comprado pelo Bradesco e o Citibank ainda se encontra em processo de negociações com interessados.

Ainda que duas das cinco grandes instituições bancárias do Brasil sejam públicas (BB e Caixa), verificamos que a tentativa de promover crédito mais barato e disponível artificialmente através desses agentes estatais não consegue ter vida muito longa. Dessa forma não podemos considerar que as existências desses agentes estatais mitiguem o problema.

Como é natural em crises, muitas empresas passaram a ter problemas de caixa e inadimplência recentemente. Em função disso as instituições bancárias iniciaram a imposição de restrições à essas empresas. Esse processo é natural, afinal grandes bancos precisam concentrar seus esforços de análise e concessão de crédito em modelos estatísticos.

O problema é que isso deixa as empresas sem opções muito rapidamente. Afinal ao aparecerem restrições de crédito e problemas de caixa secam as linhas de crédito. Isso significa que além de impossibilitar a abertura de novas linhas, as linhas antigas não são renovadas e aí observa-se mais um dos ciclos viciosos das crises. O qual é agravado pela similaridade de atuação e número restrito dessas grandes instituições.

Não se trata de olhar os bancos como vilões. Eles apenas estão adotando o comportamento que o mercado e cenário econômico exige deles.

Nesse cenário é preciso olhar para outras opções e uma das mais ágeis e promissoras seria a securitização de ativos. Diferente dos bancos, as securitizadoras são muito mais pulverizadas e a natureza de suas atividades geram uma pulverização de riscos e captação de recursos; possibilitando operações inviáveis nos modelos bancários.

Isso significa que a securitizadora tem a possibilidade de analisar fatores de risco de forma muito mais individualizada. Enquanto o banco baseia grande parte de sua análise no perfil da empresa e concede crédito para ela, a securitizadora consegue estender a sua análise para além da empresa, ou seja, para o cliente da empresa (sacado).

Nesse processo observa-se um ativo que muitas empresas em dificuldades ainda têm: um bom cliente.

Na securitização a empresa cede (vende) um direito de crédito para a securitizadora geralmente na forma de um título. Ainda que a empresa cedente se mantenha como responsável pela solvência do título, o sacado (cliente da empresa cedente) também é responsável. Isso significa que a securitizadora consegue dividir o risco atrelado à empresa cedente com uma gama de clientes dessa mesma empresa.

A securitizadora só consegue agir dessa forma porque tem um processo muito mais personalizado de atuação, analisando a dinâmica operacional da empresa cedente e entrando em contato com o sacado para confirmar que o serviço ou mercadoria foi entregue.

Gozando de estruturas muito mais enxutas que os bancos e necessitando de spreads menores, uma vez que têm custos operacionais menores, as securitizadoras conseguem ser muito mais ágeis e eficientes para atender as empresas cedentes na equalização de seus fluxos de caixa. Lastreando essas operações com os recebíveis das empresas.